Um Mártir para o Nosso Tempo: Padre Nazareno Lanciotti
A Igreja no Brasil se rejubila! Neste dia 13 de junho, a Santa Igreja eleva aos altares um novo beato, um verdadeiro mártir de nosso tempo: o Padre Nazareno Lanciotti. Missionário italiano de coração brasileiro, sacerdote de alma eucarística e mariana, sua vida foi um cântico de amor a Deus que culminou na oferta suprema, o martírio, em defesa da fé e dos mais pobres. Como ensina o Catecismo da Igreja Católica, "o martírio é o supremo testemunho dado da verdade da fé; designa um testemunho que vai até a morte" (CIC 2473). A história do Padre Nazareno é uma catequese viva sobre esta verdade.
Das travessuras de Roma ao chamado missionário no Brasil
Nascido em Roma em 1940, o pequeno Nazareno era conhecido por ser uma criança travessa. Quem diria que por trás daquele menino inquieto, Deus já moldava o coração de um futuro santo? Este é um belo lembrete de que a graça de Deus não busca os perfeitos, mas aperfeiçoa aqueles a quem chama. Ao ingressar no seminário, aprendeu o valor do silêncio, da oração e da obediência, pilares que sustentariam toda a sua vida sacerdotal.
Desde o início, sua vida foi marcada por uma profunda espiritualidade. Ao ser ordenado sacerdote, em 1966, consagrou seu ministério a Nossa Senhora, pedindo-lhe duas graças específicas: viver a pureza de coração e o total desapego ao dinheiro. Estes pedidos não eram meros desejos, mas um programa de vida, um eco dos conselhos evangélicos que ele abraçou com radicalidade. A Virgem Santíssima, como boa Mãe, ouviu seu filho.
Um coração Eucarístico e Mariano no coração do Brasil
Em 1971, o Padre Nazareno chegou como missionário à cidade de Jauru, no Mato Grosso. Ali, num lugar de poucos recursos, sua fé na Divina Providência se tornou legendária. Amigos recordam que, mesmo sem dinheiro para as obras paroquiais, os recursos chegavam milagrosamente na hora certa. Era a prova viva da promessa de Cristo: "Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas" (Mt 6,33).
Sua espiritualidade tinha duas colunas mestras: Jesus Eucarístico e a Virgem Maria. Ele era um adorador fervoroso, um sacerdote que via no confessionário uma extensão do altar. Nas palavras de seu amigo Osvaldo Piva:
Na confissão, ele se transformava em Jesus Eucarístico. Uma beleza, uma maravilha. ‘A confissão é você ser um filho pródigo que volta para o Pai’, ele dizia.
Esta é a essência do sacerdócio católico: ser um alter Christus, um outro Cristo, que acolhe, perdoa e reconcilia. Ele vivia o que o Catecismo ensina sobre o Sacramento da Penitência, que nos "reconcilia com a Igreja" e readquire a graça de Deus (cf. CIC 1468-1469). Além disso, sua ligação com o Movimento Sacerdotal Mariano aprofundou sua consagração ao Imaculado Coração de Maria, entendendo que o caminho mais seguro para Cristo é através de Sua Mãe, a primeira discípula e o modelo perfeito de abandono e confiança.
O Mártir da Caridade: A fé que se traduz em obras
A fé do Padre Nazareno não era intimista; era uma fé que transbordava em caridade. Em Jauru, sua paróquia tornou-se um farol de esperança. Ele fundou uma instituição beneficente para oferecer atendimento médico aos mais vulneráveis e não media esforços para amparar os trabalhadores e suas famílias. Sua pregação não se limitava às paredes da igreja; ele agia concretamente contra as feridas sociais que afligiam seu rebanho, como o tráfico de drogas e a prostituição.
Seu apostolado era uma afronta direta às estruturas de pecado que exploravam e degradavam a dignidade dos filhos de Deus. Ele encarnou a opção preferencial pelos pobres, que não é uma opção sociológica, mas uma exigência teológica da nossa fé (cf. CIC 2448). E, como a história da Igreja demonstra desde os primeiros séculos, a luz da verdade muitas vezes incomoda as trevas.
O Martírio: O selo de uma vida doada
Na noite de 11 de fevereiro de 2001, em retaliação ao seu trabalho pastoral, o mal mostrou sua face. Dois homens invadiram sua casa e o sacerdote foi atingido por um tiro na nuca. Padre Nazareno agonizou por onze dias, vindo a falecer no dia 22 de fevereiro. Seu calvário, no entanto, foi marcado pelo ato mais sublime de um seguidor de Cristo: antes de morrer, ele perdoou explicitamente seus assassinos.
Neste gesto, Padre Nazareno uniu-se perfeitamente ao seu Senhor, que do alto da Cruz suplicou: "Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem" (Lc 23,34). Seu martírio foi reconhecido pela Igreja como tendo ocorrido in odium fidei – por ódio à fé. Não foi um crime comum, mas uma tentativa de silenciar a voz do Evangelho que ele proclamava com a vida. Como bem resumiu seu amigo:
O segredo da santidade do Padre Nazareno foi Nossa Senhora, que o levou a adorar Jesus e reviver Jesus no Calvário. Esse foi o segredo dele. [...] Como Jesus deu a vida, ele também deu a vida.

Reflexão Final
A beatificação do Padre Nazareno Lanciotti não é apenas uma honra, mas um chamado para cada um de nós. Ele nos mostra que a santidade é possível, aqui e agora. Ele nos recorda que uma vida centrada na Eucaristia, consagrada a Maria e dedicada aos pobres é o caminho mais seguro para o Céu.
Que o exemplo deste novo beato nos inspire a sermos mais corajosos na fé. Que não tenhamos medo de amar a Eucaristia, de nos refugiarmos no colo de Nossa Senhora e de defender a dignidade dos mais pequeninos, mesmo que isso nos custe caro. Que a vida do Beato Nazareno nos ensine a perdoar e a confiar incondicionalmente na Divina Providência.
Beato Nazareno Lanciotti, mártir da caridade e do perdão, rogai por nós!
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Referências: Victor Hugo Barros - Vatican News




